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Resiliência Fisiológica: Um Conceito Muito Importante da Alta Performance Moderna


Quando pensamos em performance no esporte, normalmente falamos de força, VO₂máx, velocidade, economia de corrida ou limiares metabólicos. Mas a ciência mais recente tem apontado para um conceito ainda maior, capaz de explicar por que alguns atletas conseguem manter níveis de performance altíssimos mesmo sob condições extremas: a resiliência fisiológica.

Esse termo foi explorado com profundidade por Jones et al. (2023), e abre uma nova perspectiva sobre o que realmente diferencia atletas comuns de verdadeiras lendas — como Eliud Kipchoge. O maior maratonista de todos os tempos talvez seja o exemplo vivo mais claro desse conceito.

Neste artigo, você vai entender o que é resiliência fisiológica, como ela pode ser medida e por que ela está no centro de projetos como o Breaking2 da Nike, que mudou a forma como pensamos sobre o limite humano.


O que é Resiliência Fisiológica?


Resiliência fisiológica é a capacidade do organismo de resistir, estabilizar e recuperar suas funções durante ou após situações de estresse elevado, sem queda brusca de performance.


Isso inclui lidar com:

  • calor

  • desidratação

  • fadiga muscular

  • flutuações metabólicas

  • esforço prolongado

  • estresse mental

  • variações ambientais


Ao contrário da simples “resistência”, que é quase sempre associada ao tempo até a exaustão, a resiliência fisiológica olha para como o corpo se comporta diante do caos fisiológico e como ele retorna ao equilíbrio mantendo a performance.


Por que esse conceito importa para corredores?


Porque performance real não é apenas o quanto você produz, mas o quanto você aguenta produzir sob condições adversas.


Um atleta resiliente:

  • perde menos eficiência ao longo da prova

  • sofre menos impacto da temperatura

  • mantém mecânica de corrida estável

  • toma decisões melhores sob estresse

  • se recupera mais rápido entre treinos

  • suporta cargas maiores com menos dano acumulado


Isso explica por que alguns atletas parecem “não quebrar nunca” — eles não dependem apenas da capacidade máxima do corpo, mas da capacidade de sustentação sob pressão.


Kipchoge e Breaking2: exemplos máximos de resiliência


O projeto Breaking2 não foi apenas um experimento tecnológico. Foi um estudo prático de resiliência fisiológica aplicada.


Eliud Kipchoge mostrou:


  • estabilidade cardíaca mesmo em intensidades máximas

  • economia de corrida excepcional (variação mínima ao longo dos quilômetros)

  • biomecânica praticamente inalterada sob fadiga

  • controle emocional incomum em ambientes de alta tensão

  • recuperação extremamente rápida entre sessões pesadas


O corpo dele não apenas performa bem, ele tolera o estresse melhor do que qualquer outro ser humano já medido.

Não é “força mental”. É fisiologia funcionando no limite com mínima degradação.


Como medir resiliência fisiológica?


Segundo Jones et al., não existe um único teste. É um conjunto de indicadores, como:


  • estabilidade da frequência cardíaca sob carga

  • variação mínima na economia de corrida

  • capacidade de manter potência/ritmo sob estresse

  • menor declínio de VO₂ em situações adversas

  • recuperação rápida após estímulos intensos

  • tolerância elevada ao calor e desidratação

  • baixo aumento de marcadores de fadiga


É quase como medir a “capacidade de não quebrar”.



O que isso significa para o treinamento?

Treinadores que entendem o conceito podem montar um dos métodos mais inteligentes da atualidade:


1. Treinar não só o ‘máximo’, mas o ‘durante o caos’

Treinos em calor controlado, ritmos sustentados sob leve desidratação, treinos intervalados com fadiga acumulada.


2. Trabalhar estabilidade metabólica

Treinos longos contínuos + alimentação adequada + periodização bem construída.


3. Estimular a resiliência cognitiva

Tarefas de decisão, treinos com elementos de stress cognitivo, resistência mental real e não romantizada.


4. Adaptação ao ambiente

Aclimatação ao calor, altitude, umidade, vento.


5. Recuperação como parte essencial da resiliência

Sono, nutrição, microperíodos de descarga, monitoramento de fadiga.


A pergunta que a ciência está tentando responder


Não é mais “qual é o limite do corpo humano?”. É “quão resiliente podemos tornar esse corpo?”.


A resposta provavelmente vai vir do equilíbrio entre:


  • genética

  • treinamento inteligente

  • controle ambiental

  • biomecânica eficiente

  • estabilidade emocional

  • adaptação ao estresse


Assim como vimos no Breaking2, não basta ter um VO₂máx alto, ele precisa não colapsar em condições reais.


Conclusão


A resiliência fisiológica ou durabilidade é o novo centro da discussão sobre performance no esporte. Ela determina quanto você consegue produzir quando tudo à sua volta — e dentro de você — tenta te fazer parar.

E se existe uma frase que resume tudo isso, é a frase do próprio Kipchoge:


“O corpo só é forte quando a mente está preparada.” Mas agora sabemos: a fisiologia também precisa estar.


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Referência científica

Jones, A. M., Burnley, M., Black, M. I., Poole, D. C., & Vanhatalo, A. (2023). Physiological resilience: What is it and how might it be measured? Sports Medicine, 53, 171–186. https://doi.org/10.1007/s40279-022-01743-5

 
 
 

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